Havia que recuperar do atraso do dia anterior e feitas as contas deveria fazer, por dia, em média, cerca de 125 quilómetros para completar os 1000 quilómetros a que me havia proposto fazer na ligação de Lisboa a Casablanca. Por isso arranquei de manhã cedo, ainda não eram oito horas da manhã, para uma longa jornada. Só pararia mesmo quando o sol se pusesse e no centro de Alcácer do Sal lá me indicaram que o melhor mesmo era seguir para Beja mas na direcção do Torrão e não de Grândola, como a menina da recepção me tinha explicado. E segui viagem admirando o silêncio que se fazia sentir naquela rua de suaves colinas que ia fazendo sem custo de maior. Cheguei a Beja a tempo do almoço e acabei por comprar a máquina fotográfica, depois de perceber que uma nova lente para a minha Canon estava fora de questão, pelo seu elevado preço e rapidamente voltei à estrada em direcção a Serpa. Parei numa estação de serviço às portas da terra que viu nascer Nicolau Breyner, com um calor insuportável. Pedi uma garrafa de litro e meio de água fresca enquanto entrava uma senhora manifestamente incomodada pelo calor.
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1996. A história começa com um erro de cálculo. João Lourenço pedalava desde os Pirenéus rumo a Santiago de Compostela, quando ficou sem dinheiro. Viu-se forçado a parar durante uns dias até que um viajante o ajudou. Foram apenas 25 mil pesetas, mas garantiram-lhe a viagem de comboio até casa, em Ponte de Sor. À chegada, cumpriu o prometido: enviou o dinheiro para a morada que o espanhol lhe dera. E não o voltou a ver. Dois anos depois, quando cruzava as planícies ventosas da Patagónia chilena, um ciclista surge no horizonte de uma recta sem fim. “Yo te conozco”, disse-lhe quando finalmente se encontraram. “Era Agustin!”
Chama-se João Leitão - É de Lisboa, cidade que adora, mas também andou alguns anos pelas zonas de Portimão, Serra de Monchique, Praia da Rocha, e mais tarde pelos Alentejos mais própriamente em Évora onde estudou na Universidade. Gosta muito de viajar e de experienciar o mundo como ele é, e adaptar, juntando um outro gosto que é o de aprender idiomas.
Para Nuno Brilhante Pedrosa, um português de Leiria, ”O meu sonho levar-me-à aos maiores extremos fisìcos, humanos e geogràficos que o nosso planeta tem para oferecer. Da expansiva natureza selvagem e beleza natural do norte do Canadà, dos Andes e da Patagònia aos povoados e em crescimento centros de população humana como Los Angeles e a cidade do Panamà.
É portuguesa e vive em Londres, um dia cansou-se e partiu para a América Latina, para descobrir novas gentes e novos ritmos de vida.