Esta foi uma daquelas aventuras que surgiram quase que por acaso.
A minha ideia este ano era fazer o caminho francês, pois já tinha feito o caminho português por esta altura no ano passado embora num grupo muito grande e com apoios, e assim juntava á experiência da autonomia a hipótese de fazer um caminho que me seduz bastante.
No entanto houve alguns imprevistos e a hipótese de fazer o caminho francês foi adiada.
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Havia que recuperar do atraso do dia anterior e feitas as contas deveria fazer, por dia, em média, cerca de 125 quilómetros para completar os 1000 quilómetros a que me havia proposto fazer na ligação de Lisboa a Casablanca. Por isso arranquei de manhã cedo, ainda não eram oito horas da manhã, para uma longa jornada. Só pararia mesmo quando o sol se pusesse e no centro de Alcácer do Sal lá me indicaram que o melhor mesmo era seguir para Beja mas na direcção do Torrão e não de Grândola, como a menina da recepção me tinha explicado. E segui viagem admirando o silêncio que se fazia sentir naquela rua de suaves colinas que ia fazendo sem custo de maior. Cheguei a Beja a tempo do almoço e acabei por comprar a máquina fotográfica, depois de perceber que uma nova lente para a minha Canon estava fora de questão, pelo seu elevado preço e rapidamente voltei à estrada em direcção a Serpa. Parei numa estação de serviço às portas da terra que viu nascer Nicolau Breyner, com um calor insuportável. Pedi uma garrafa de litro e meio de água fresca enquanto entrava uma senhora manifestamente incomodada pelo calor.
Desde Novembro de 1981, quando fez a sua primeira viagem em bicicleta rumo a Espanha, para assistir naquele país ao Campeonato do Mundo de Futebol, o brasileiro José Geraldo de Souza Castro, 51, conhecido como Zé do Pedal, já percorreu mais de 130.000 quilómetros, em bicicleta, carrinhos de criança e barco a pedal.
Que melhor maneira de convivio entre pai e filho do que empreenderem uma viagem, durante as férias, em bicicleta.